Alvo de ataques por suas posições contrárias à castração química de condenados por crimes sexuais e à redução da maioridade penal, Benedita da Silva (PT) decidiu responder aos adversários. Em entrevista exclusiva ao Grupo ErreJota Notícias, a candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro alertou para o risco de propostas cada vez mais extremas. “Nessa toada, daqui a pouco estaremos fazendo novamente enforcamentos em praça pública”, disparou.
Sobrevivente de violência sexual que sofreu por anos na infância, Benedita recorreu à própria história para explicar suas posições. A petista também não poupou críticas aos adversários Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL. Para Benedita, os dois representam um projeto político que ameaça direitos conquistados ao longo de décadas de lutas.
ErreJota Notícias: A senhora vem sendo atacada nas redes sociais por sua posição contrária à castração química de condenados por crimes sexuais. Como responde a essas críticas?
Benedita da Silva: Eu não creio na violência para combater a violência, na guerra para combater a guerra, no ódio para combater o ódio. E quem sofre nas duas situações são principalmente as mulheres. As mulheres são as suas maiores vítimas, diretas ou indiretas. Eu já fui estuprada, já tive que me esconder de bala perdida, já fui ameaçada pelo crime, pela milícia e pela polícia. Se tudo o que eu vivi e o que as mulheres vivem fosse respondido com mais violência, só teríamos sangue espalhado pelo mundo.
ErreJota Notícias: Mas, diante de crimes tão graves, a senhora não considera necessário endurecer ainda mais as punições?
Benedita da Silva: Sim, defendo o endurecimento das leis e mais prevenção, mas, nessa toada, daqui a pouco estaremos fazendo novamente enforcamentos em praça pública.
ErreJota Notícias: Outro assunto que provoca muita discussão é a redução da maioridade penal. Por que a senhora também é contra?
Benedita da Silva: Os países que adotaram a redução da maioridade penal não registraram redução na criminalidade juvenil. Colocar adolescentes em presídios dominados por facções vai ajudar a ampliar o recrutamento pelo crime e agravar a violência.
ErreJota Notícias: Seus adversários também criticam seu voto pela manutenção das saídas temporárias de presos. Como explica essa posição para a população?
Benedita da Silva: O preso de baixa periculosidade que está em regime semiaberto tem o direito legal de voltar ao convívio com a família, em datas definidas pela legislação. Não é qualquer preso que tem esse direito. Eu sou a autora da lei que garantiu às presas que tiverem filhos na cadeia o direito de ficarem 6 meses com seus bebês, durante o período de amamentação. Afinal, os bebês não têm culpa pelo crime das mães. Será que daqui a pouco a extrema direita também vai querer cassar esse direito?
ErreJota Notícias: A senhora é contrária à castração química e à redução da maioridade penal. Mas o que pretende fazer, se eleita, para endurecer o combate ao crime organizado?
Benedita da Silva: Eu defendo a aprovação da PEC da Segurança, que vai criar o Sistema Único da Segurança Pública, para que o combate ao crime organizado e à violência possa ser feito pela União, estados e municípios, juntos, com inteligência, planejamento e estratégia. Porque ninguém vai dar conta desse problema sozinho.
ErreJota Notícias: A senhora tem alguma proposta específica na área de Segurança?
Benedita da Silva: Como senadora, vou apresentar uma proposta que chamo de “confisco do bem”, que prevê que o patrimônio de traficantes e milicianos, confiscado pela Justiça, seja em parte revertido em investimentos sociais nas próprias comunidades. Hoje esses recursos vão para o Tesouro e para um fundo de segurança, que usa como quer. Eu quero que esse dinheiro volte em forma de escolas, praças, equipamentos para as comunidades que foram vítimas desses marginais.
ErreJota Notícias: A disputa está na reta final. Como a senhora avalia seus principais adversários, Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos representantes do bolsonarismo?
Benedita da Silva: O eleitor precisa entender que ambos representam um projeto que coloca em risco direitos que foram conquistados ao longo de anos, a duras penas. O aumento real do salário mínimo, o Bolsa Família, o SUS, as universidades públicas, o Estado laico, a política de cotas, as vacinas, o direito dos negros, das mulheres, dos povos originários, tudo isso está em risco. Sem falar na nossa soberania, posto que esses falsos patriotas, na verdade, são lacaios dos Estados Unidos, que estão de olho nas nossas riquezas naturais. É um momento extremamente grave esse que estamos vivendo. Ainda está em tempo de alertar as pessoas disso.









