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Búzios, Maricá, Niterói e São Gonçalo têm filmes selecionados para mostra de cinema no Rio

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Armação dos Búzios, Maricá, Niterói e São Gonçalo estão representados na 6ª Mostra do Filme Marginal, que será realizada de 15 a 24 de outubro, no Rio de Janeiro. O evento reúne 123 produções nacionais e internacionais, com entrada gratuita, e tem como tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”.

A programação inclui filmes independentes que abordam questões sociais, culturais, políticas e ambientais. Entre as produções fluminenses estão obras que discutem racismo, memória, desigualdade social, inclusão e preservação ambiental, com diferentes linguagens cinematográficas.

Búzios aborda preservação ambiental em documentário

Armação dos Búzios participa com o documentário “Cultura da Permanência”, de 23 minutos, dirigido por Kaylany Cordeiro, Jessé Carlos, Ladivan Soares, Geyson Fernandes e Rodrigo Sena.

A produção acompanha Daniel, composteiro e técnico ambiental que busca mobilizar moradores de um bairro cercado por uma Área de Proteção Ambiental (APA). Ele utiliza a compostagem como exemplo de práticas individuais e coletivas necessárias à preservação ambiental.

O filme amplia o conceito de permacultura e aborda atitudes que envolvem moradores, comunidades e governos diante dos desafios ambientais. A produção recebeu financiamento do edital da Lei Paulo Gustavo 2024, da Prefeitura de Armação dos Búzios.

Maricá e Niterói na programação

A cineasta Flávia Vieira, nascida em Maricá e moradora de Niterói, dirige o curta de ficção “São as Regras”, de 15 minutos. O filme acompanha dois adolescentes, Arthur e Túlio, que tentam conseguir ingressos para assistir a um filme no cinema, mas enfrentam obstáculos que vão além da falta de dinheiro.

Para alcançar o objetivo, eles recorrem às amigas Suzana e Carolina, que precisam decidir se arriscam uma oportunidade importante para ajudá-los. O curta estreou nacionalmente no Festival do Rio de 2025 e venceu a categoria de Melhor Filme no Cine Tamoio do mesmo ano.

Com apoio da Lei Paulo Gustavo, por meio da RioFilme e da Secretaria de Cultura Criativa do Estado do Rio de Janeiro, a obra propõe uma reflexão sobre desigualdade social e inclusão.

Niterói também está ligada à origem da animação “A Tragédia do Lobo Guará”, realizada como trabalho de conclusão de curso de alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Com 18 minutos, o filme tem direção, roteiro, animação, bonecos e montagem de Kimberly Palermo, natural de Nova Iguaçu.

A história acompanha uma loba-guará sentimental que percorre o Brasil em busca de um novo lar depois de perder tudo o que tinha. A produção foi realizada de forma independente, com recursos próprios, rifas, vendas em uma loja on-line e R$ 5 mil obtidos em uma premiação de um filme anterior da diretora.

“A Tragédia do Lobo Guará” direção, roteiro, animação, bonecos e montagem de Kimberly Palermo / Divulgação

São Gonçalo tem três produções em destaque

Um dos destaques é o longa-metragem “Proteção”, dirigido por Alberto Sena, nascido e criado em São Gonçalo, com produção executiva de Marcos Moura, criado na divisa entre o município e Itaboraí. O drama acompanha Tarik, um biomédico que retorna ao Brasil após a morte dos pais e, ao tentar salvar um velho amigo, coloca a própria carreira em risco e acaba envolvido em uma guerra inesperada.

Com temas como racismo, memória ancestral e ética, o filme tem no elenco Luana Arah, Dani Ornelas, Dja Martins, Reinaldo Junior e Wilson Rabelo, conhecido por sua participação em “Bacurau”. A produção já circulou por festivais no Brasil e no exterior, com exibições em Medellín, na Colômbia, e no Festival Inside Nollywood, na Nigéria.

Alberto Sena também é idealizador do Cine Tamoio, Festival de Cinema de São Gonçalo, e presidente do Instituto Coletivo Ponte Cultural.

“Proteção”, dirigido por Alberto Sena / Divulgação

Outro representante do município é Wesley Prado, diretor do curta-metragem “Maniva”, de 22 minutos. Cineasta, fotógrafo, jornalista e pedagogo social formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ele mantém a produtora Avante Filmes em São Gonçalo e atua em projetos comerciais, independentes e socioculturais.

O documentário apresenta a história social da mandioca a partir dos relatos de dois agricultores, um chef de cozinha e uma chef pesquisadora. A narrativa acompanha o alimento desde a colheita na agricultura familiar até o fim de seu ciclo, reunindo histórias de luta e afeto.

Também relacionado a São Gonçalo está o curta experimental “Ilha do Sol”, dirigido por Daniela Moreira. A produção aborda a história da ilha situada na Baía de Guanabara que ficou conhecida por ter sido a morada de Luz del Fuego, nome artístico de Dora Vivacqua, artista circense, bailarina, vedete do teatro de revista e pioneira da arte performática feminina no Brasil.

Luz del Fuego viveu na ilha de 1951 até ser assassinada, em julho de 1967. O curta combina ensaio poético e experimentação cinematográfica para recuperar a memória da artista em um período marcado pelo avanço da repressão política no Brasil.

Outros destaques da mostra

A programação reúne filmes de diferentes regiões do Brasil e do exterior. A abertura será marcada pela estreia brasileira do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), dirigido pelo belga Thomas Licata. O documentário aborda a vida na cidade japonesa de Namie, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.

Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, a edição chama a atenção pela quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como “A Floresta das Mulheres-Peixe”, do Amazonas.

“Também há nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta ‘Samba Infinito’, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo (RJ), que exibirá ‘Proteção’. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro ‘Onde Estamos Seguros’, também exibido em Cannes”, afirma Uilton.

Entre os filmes que vêm se destacando no circuito de festivais estão “Capim Navalha”, documentário sobre personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), dirigido por Michel Queiroz; “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), com direção de Clementino Junior; e “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique.

Muitas sessões incluem conversas com os realizadores. Os horários e locais das exibições podem ser consultados nos canais oficiais da mostra.

Seis edições de cinema independente

Criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal chegou à sexta edição com 356 filmes inscritos. A seleção foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.

“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira.

“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.

A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e da RioFilme.

Serviço

6ª Mostra do Filme Marginal

Tema: Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível

Data: 15 a 24 de outubro de 2026

Local: diversos espaços na cidade do Rio de Janeiro

Entrada: gratuita

Programação: https://mostradofilmemarginal.com/programacao-2025/

Site: https://mostradofilmemarginal.com/

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